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Guarda Municipal RJ, integrante do antigo Grupamento de Ações Especiais e agora GOE, Grupamento de Operações Especiais
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domingo, 31 de março de 2013

Sagem Felin: vale quanto pesa?


SAGEM Felin 2

O programa de modernização do soldado francês

vinheta-especial-forteO programa de modernização do soldado francês, conhecido como Felin (Fantassin a Equipaments et Liaisons Integres), acrônimo para “Infantaria integrada com equipamentos de data-link”, está pronto para a produção em massa. Pelo menos até 2013, quando o sistema terá de ser modificado, porque o Ministério da Defesa francês resolveu vender algumas bandas de rádio militares, incluindo a faixa de 802-862MHz, usada pelo Felin.
A mudança de frequência que terá de ser feita posteriormente elevará ainda mais os custos do programa, mas não se sabe quanto.
Até 2015, a Sagem, fabricante do sistema Felin, planeja entregar 22.588 sistemas. Enquanto isso, quatro regimentos receberão 1.000 sistemas cada em 2010, usando a frequencia atual de 802-862MHz. Até agora, 358 sistemas de pré-série foram entregues ao Exército Francês para avaliação e 250 tem sido usados desde o início de 2009 em avaliações táticas em Djibouti, sob calor em clima desértico e na Guiana Francesa, com calor e umidade.
Scorpion
O Felin é, como seu congênere americano “Land Warrior”, “um sistema centrado no homem para o campo de batalha centrado em redes”. Ele é parte integrante um conceito maior, oScorpion (ilustração acima), que congregará todas as plataformas do Exército Francês. O Felin é integrado a três plataformas da infantaria, o blindado VCBI, o VAB e o AMX 10P, utilizando recarregadores móveis e kits de integração nos veículos.
O Felin foi desenvolvido com a ajuda do “feedback” da tropa. Os principais desafios técnicos foram a redução do peso, do consumo de energia, a ergonomia e problemas de ordem cognitiva e física. Com o equipamento, que inclui alças óticas, vestimenta e equipamentos deC4I (Comando, Controle, Comunicações e Inteligência), cada soldado fica conectado ao comando e situado no campo de batalha.
Soldados mais velhos tiveram dificuldade para se adaptar ao sistema, mas para os mais jovens, da geração que cresceu jogando videogames e utilizando a tecnologia digital, a adaptação foi fácil.
O Felin tem 150 componentes, incluindo 73 itens básicos, em 5 versões: patrulha, NBC, balístico leve, combate de alta intensidade e balístico pesado. Um soldado totalmente equipado, com um fuzil Famas, suprimentos de comida, água e munição, levará uma média de 70 itens pesando 25kg.
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Felin Battle Management System
felin_20Demonstrações feitas com soldados equipados correndo, saltando, rastejando e disparando armas, mostraram que o peso não é um problema, já que ele é distribuído pelo corpo do soldado.
A proteção balística do Felin é modular e pode ser customizada de acordo com a missão. O uniforme suporta até 11 equipamentos eletrônicos portáteis, como bateria para o computador, rádio, interface homem-máquina, sistema de informações táticas e o sistema de informações em rede.
Os equipamentos podem ser distribuídos em bolsos pelo soldado, de acordo com sua preferência. O capacete compreende 13 itens, incluindo óculos anti-laser, visor anti-estilhaços, alça de mira para visualizar esquinas, NVG e osteofone (que habilita o soldado a ouvir ordens através do osso próximo ao ouvido, deixando seu ouvido livre para escutar sons ao seu redor).
O novo capacete leve fornece proteção balística e está equipado com um visor monocular Sagem optrônico, com câmera de intensificação de luz. O capacete tem duas telas LED, de 3 cm² cada. As alças óticas dos fuzis estão ligadas ao sistema de comunicações. Alvos visualizados pelas alças podem ser transmitidos digitalmente em tempo real para a rede do Felin.
Os soldados podem levar seu suprimento de água, numa garrafinha nas costas, equipada com um canudo flexível.
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O Felin foi testado na Guiana. Em condições normais, o alcance do rádio é de 1.000m em terreno aberto, 600m em áreas urbanas e 100m dentro de construções. Sabe-se que, quando o Felin passar a usar uma frequencia mais alta, seu alcance dentro da mata cairá ainda mais, pois quanto mais alta a frequencia, maior a atenuação na floresta.
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Cobra Felin?

felin1-375x420O programa do soldado do futuro ou COBRA (Combatente Brasileiro) deverá se basear no projeto francês. O COBRA poderá ser desenvolvido com parceria francesa para equipar unidades de infantaria do Exército Brasileiro.
A entrada em serviço desse equipamento no EB deverá quebrar muitos paradigmas operacionais e organizacionais, fazendo com que o Exército valorize seu instrumento mais importante, o soldado. O sistema aumentaria de forma gigantesca a efetividade e proteção da infantaria em todas as áreas, incluindo observação, comunicação, comando, coordenação e engajamento.
Certamente o Felin não é um equipamento para ser usado por recrutas, mas por soldados profissionais, com alto preparo técnico.

Controvérsias

Com a tecnologia disponível no Felin, será possível em futuro próximo termos o seguinte cenário: soldados são atingidos durante uma emboscada por forças opostas em uma zona de batalha urbana. O relatório médico de ferimentos e o estado das funções críticas do corpo dos homens feridos, medidos por sensores, são imediatamente transmitidas para o posto de comando. Lá, o comandante da companhia pode monitorar as funções cardíacas dos seus soldados e a pressão arterial em tempo real.
Mas alguns soldados experientes dizem que informações como essas não deveriam ficar disponíveis para o alto comando, já que os combates normalmente são ganhos por quem está na linha de frente, no calor da batalha, independentemente da situação dos homens.
Por outro lado, soldados que já experimentaram o Felin dizem que preferem ir à guerra com ele e que não gostariam de ter de enfrentar um inimigo equipado com o mesmo sistema.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

TECNOBIT - Apresenta sua linha de simuladores em Brasília


A TECNOBIT recebe a visita do Comandante do Exército Brasileiro durante a 2ª edição do WSTM em Brasília Foto - Tecnobit

•  Uma das soluções apresentadas pela companhia é o Simulador de Combate Individual, um equipamento sem fio que oferece realismo e precisão ao treinamento de soldados

•  O evento acontece até o dia 08 de Novembro, em Brasília no QG do Exército,  e tem como objetivo alinhar a estratégia nacional de Defesa aos novos métodos de treinamento e inovação do mercado

Brasília, 7 de novembro de 2012 - A TECNOBIT, multinacional espanhola que constrói equipamentos e sistemas avançados, com uma forte base em eletrônica, para a Indústria da Defesa e Segurança, recebeu ontem a visita do Comandante do Exército Brasileiro, o General Enzo Martins Peri, no primeiro dia do Workshop de Simulação e Tecnologia Militar (WSTM), que acontece no Quartel General do Exército em Brasília até amanhã. Entre as soluções de Simulação apresentadas pela TECNOBIT, o General teve a oportunidade de conhecer o Simulador de Combate Individual, uma plataforma que permite registrar, com fiabilidade e precisão, a situação de cada soldado durante o exercício de adestramento, os disparos realizados, a munição disponível, inclusive as condições em que o participante se encontra e a capacidade que tem para disparar após os impactos recebidos.  
 

Tudo isso é possível através de um sistema wireless composto por quatro sensores dispostos no uniforme e no capacete do soldado. Estes sensores, por sua vez, são capazes de detectar os disparos realizados por emissores laser fixados na arma de cada combatente, simulando o efeito do tiro real, com alcances de até 1000 metros. Trata-se de uma ferramenta eficiente e cada vez mais estratégica para o adestramento militar, uma vez que o equipamento simula um confronto real e permite aos participantes interagir com todos os elementos presentes em uma batalha verdadeira.

“Diante do elevado custo do material necessário para a realização de exercícios táticos de combate real e a dificuldade de encontrar lugares adequados onde realizar disparos com munição real, a simulação assume um grande papel como uma alternativa altamente realista e que facilita o treinamento da tropa sem o risco do dano físico”, afirma Angel Suárez, Diretor da área de Simulação da TECNOBIT.  “E, dentro do campo da Simulação, a instrução dos soldados requer cada vez mais o uso de meios de simulação que sejam os mais realistas possíveis”, complementa Suárez.

A TECNOBIT também aproveitou o encontro com o General Enzo para destacar o Projeto SAFO (Simulador de Apoio de Fogo) desenhado pela companhia especialmente para o Exército Brasileiro. O SAFO facilita o treinamento, em condições próximas ao combate real, em áreas tais como a preparação e análise de missões, o reconhecimento do terreno e a localização e seguimento de alvos, a preparação e execução das ordens de tiro e a observação e correção das ações de fogo, para a integração do fogo artilheiro com a manobra, unificando todos os subsistemas de Artilharia de Campanha.

O Simulador de Combate Individual permite o registro e análise do treinamento

Uma das vantagens do simulador da TECNOBIT é que permite ao instrutor armazenar as informações relevantes obtidas durante o exercício e, assim, analisá-las uma vez finalizado o treinamento para que as estratégicas de ação e a atuação de cada participante possam ser corrigidas e melhoradas nas próximas simulações.  Este sistema pode ser usado no esquadrão, seção, pelotão ou companhia.   

Características gerais do Simulador

-    Portátil e versátil. O sistema standard é formado por quatro detectores: dois são colocados no capacete e outros dois no uniforme do soldado (peito e costas). Outro componente do simulador é o Emissor Laser que, juntamente com a Unidade de Controle, totaliza seis elementos. Todos os módulos estão interconectados sem fio de acordo com o standard IEEE 802.15.4, protocolo Wireless.
-    Real e Preciso. Este simulador recria os alcances e efeitos das armas usadas no treinamento. Além disso, simula a munição disponível e calcula os efeitos produzidos pelos disparos. Todas as ações dos participantes são armazenadas na Unidade de Controle para que posteriormente possa ser feito um download para a Estação de Análise. A Unidade de Controle está fixada no colete ou em equipamentos usados pelo combatente durante o exercício e fornece a interface de usuário através de uma tela OLED (“Organic LED”), um alto-falante, quatro botões de navegação e uns LEDs de estado. Entre outros dados, informa ao instrutor sobre o estado do combatente (Vivo, Ferido, Morto) e do Simulador de Combate.
-    Robusto e confiável: O equipamento está desenhado para evitar a possibilidade de erro, fazendo com que o sistema não dispare se não existe munição ou se o combatente foi previamente atingido.
-    Flexível. Pode ser utilizado para simular o disparo do fuzil de assalto (FUSA) HK G36, da metralhadora MG4 ou do rifle de precisão Accuracy. Em definitiva, a partir de modificações no software/hardware, o emissor laser pode ser adaptado para qualquer tipo de fuzil.
-    Simples e compacto. Utiliza baterias recarregáveis integradas nos módulos para maior estanqueidade dos mesmos e possui um peso inferior a 2.0 Kg.

Sobre a TECNOBIT

Fundada em 1976, a TECNOBIT é uma multinacional espanhola que constrói equipamentos e sistemas avançados, com uma forte base em eletrônica, para a Indústria da Defesa e Segurança. A companhia conta com um escritório-sede e um centro de engenharia e fabricação na Espanha e outro centro no Rio de Janeiro, que serve de base para as operações na América Latina. A ampla gama de equipamentos e software e a capacidade de engenharia própria permitem à TECNOBIT oferecer produtos e soluções completas nas áreas de Aviônica; Optrônica; Simulação; Sistemas de Controle e Informação; Espaço, além de Sistemas de Apoio. www.tecnobit.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PROGRAMAS DE MODERNIZAÇÃO DE SOLDADOS



PARTE 1 – INTRODUÇÃO

Os Programas de Modernização de Soldados podem ser definidos como um conjunto de estudos aplicados nas mais diversas áreas – indo desde uma cor mais adequada para um uniforme de camuflagem, até um robô autônomo para transporte, reconhecimento e combate – que têm por objetivo incrementar de maneira exponencial os seguintes aspectos do soldado: sua letalidade; sua capacidade de comando, controle e comunicação; sua possibilidade de integrar-se numa rede, fornecendo e recebendo dados (Network Centric Warfare); sua capacidade de identificação de amigo ou inimigo; sua autonomia e resistência; e, como conseqüência da sinergia dos itens anteriores, sua sobrevivência.
São exemplos de programas desenvolvidos ou em fase de testes operacionais, entre outros de menor relevância, os seguintes: Land Warrior (Estados Unidos da América), FELIN(França), FIST (Inglaterra), IDZ (Alemanha), WUNDURRA (Austrália), Soldato Futuro (Itália), ANOG (Israel), MARKUS (Suécia), WOLF (Rússia) e o African Warrior (África do Sul).

A evolução provocada por estes estudos é tida como essencial, idéia esta corroborada pelo fato de que, como citado acima, os principais exércitos do mundo já estão em estágio avançado de desenvolvimento e produção inicial, tendo alguns, inclusive, já sido provados em combate, quer no todo ou por parte de alguns dos componentes do sistema, como é o caso do Programa Land Warrior norte-americano, em operação com algumas unidades de Forças Especiais no Afeganistão desde 2003, ou dos sistemas de comunicação individual e visualização do FIST britânico, em uso no Iraque.
O tema é muito amplo e, dessa forma, um estudo aprofundado tornar-se-ia sobremaneira extenso, beirando o impublicável. Existem diversas fontes na Internet que permitem um conhecimento mais profundo de cada aspecto do assunto tratado, além de inúmeros Simpósios, Convenções, Encontros e Palestras, estes, em sua maioria financiados por Organismos Militares, ou ligados às Instituições Militares, ou ainda por empresas de alta tecnologia do campo militar, deixando claro tratar-se de pauta obrigatória para aqueles que, profissionalmente ou não, estão ligados a este campo do conhecimento humano.
Como forma de facilitar a exposição, dividirei o tema em diversos títulos, sob os quais buscarei dar uma visão panorâmica daquilo que já foi – ou está sendo – desenvolvido em cada área afeta aos Programas de Modernização de Soldados, sendo eles:
  • UNIFORMES, VESTIMENTAS e ACESSÓRIOS
Neste título trataremos das evoluções nos uniformes, indo desde a substituição dos fechos de botão por aqueles de velcro e zíperes, até a redução de assinaturas visual, térmica e radar; e das evoluções dos sistemas de transporte de munição e equipamentos.
  • ARMAMENTOS
Neste título trataremos da evolução nos conceitos e no emprego das armas de fogo dos exércitos; seus diversos tipos; sua distribuição pelo efetivo, de acordo com a função desempenhada por cada um; a evolução dos materiais, munições e sistemas de tiro; e os equipamentos agregados às armas de fogo que passaram a serem indispensáveis no combate moderno, bem como aqueles que serão imprescindíveis nos combates do futuro.
  • COMUNICAÇÕES/SENSORES
Neste tópico abordaremos, de maneira expositiva e despretensiosa, a evolução em tecnologia e conceito dos equipamentos de comunicação, visualização e de coleta/distribuição de informações, focando na tendência de distribuir os meios a todos os componentes de uma Unidade de Combate de linha de frente, de forma a facilitar a interação entre os combatentes, e entre estes e seu comando, formando uma enorme, fluída e constantemente atualizada rede de dados, que é o coração da Network Centric Warfare.
Isto posto, vamos aos temas.

UNIFORMES, VESTIMENTAS E ACESSÓRIOS

As recentes operações militares têm mostrado uma nova realidade em termos de combate, o que veio a refletir nos equipamentos empregados pelas Forças Militares tecnologicamente e doutrinariamente mais avançadas. O rápido e fulminante combate convencional em campo aberto, travado com grande emprego de armas de precisão apoiadas por extensas redes de informação tornou a Guerra Convencional - com Grandes Unidades Militares manobrando e engajando-se - uma aventura extremamente arriscada e não-recomendável nos dias de hoje e naqueles vindouros, principalmente ante a supremacia militar norte-americana e àquela das Forças de Coalizão: só é admissível engajar-se em um combate desta natureza sendo parte da Força de Coalizão ou lutando ao lado dos norte-americanos. A alternativa restante é, no caso de defesa contra uma agressão externa, a opção pelo prolongado e desgastante combate de selva e/ou urbano, nos quais os sensores têm seu desempenho degradado pelo ambiente (cobertura vegetal, chuvas tropicais, telhados e paredes de concreto), a identificação amigo/inimigo ou civil é dificultada, o número de baixas é maior dada a proximidade de um combate praticamente corpo-a-corpo, a tecnologia das armas e equipamentos não desempenha um papel tão relevante e o risco de danos colaterais com repercussão negativa na mídia mundial é grande.
Para desempenhar nestes cenários é essencial que o soldado esteja corretamente equipado, de forma que não tenha que se preocupar com a adequação, durabilidade ou resistência de suas vestes e calçados, com como vai carregar determinado equipamento ou munição, ou como vai proteger-se durante o desenvolvimento da missão. O aspecto econômico também é extremamente importante, buscando sempre o máximo de padronização e o máximo de funcionalidade de cada peça.

O Uniforme

As roupas do combatente têm passado por uma grande evolução que, ao contrário do que pode-se imaginar, levou à sua simplificação. Busca-se agora um uniforme que possa ser utilizado em qualquer ambiente, com uma camuflagem padrão adaptável a vários cenários e que possua grande funcionalidade e praticidade, facilitando a mobilidade e o uso em conjunto com as demais peças/armas que compõe a carga do soldado moderno. Assim, aspectos puramente estéticos ou tradicionalismos são deixados de lado, e a opinião do usuário final assume grande relevância.
É o caso do pioneiro CADPAT do Exército Canadense, do MARPAT dos Marines e do ACU (Advanced Combat Uniform) do US Army, este sendo o último a entrar em dotação, beneficiando-se da experiência adquirida com os dois anteriores.
O CADPAT (Canadian Disruptive Pattern) teve sua pesquisa e desenvolvimento iniciada em 1995, com distribuição às tropas para testes em 1997, quando foi adotado. A conversão em massa para o novo uniforme começou em 2001, após estudos científicos da OTAN terem considerado-o o melhor padrão de camuflagem para clima temperado e tropical disponível à época, tendo sido demonstrado que tal padrão de camuflagem reduz em 40% a possibilidade de detecção visual a uma distância de 200m.
 
O uniforme tem um padrão de “pixels” em dois tons de verde, um de marrom e mais o preto, formando desenhos descontínuos que dão noção de profundidade variável ou tridimensionalidade, dificultando a identificação positiva dos contornos de uma pessoa. Por ter este padrão em “pixels”, ficou conhecida como camuflagem digital. É produzido em duas versões: para regiões de mata e para regiões desérticas. O processo de produção exige alta capacidade tecnológica da indústria têxtil, pois para ser eficiente, é necessário que os “pixels” sejam perfeitamente quadrados, o que não ocorria com as versões iniciais, quando a tinta aplicada ao tecido espalhava ou manchava, formando padrões arredondados, o que diminuía a eficiência do padrão.
O MARPAT (Marine Pattern) surgiu como um desenvolvimento do CADPAT. O US Marine Corps buscava um uniforme mais adequado para climas temperados e tropicais, e que ao mesmo tempo distinguisse-os dos demais ramos das Forças Armadas. Tendo acompanhado os testes finais do uniforme Canadense junto à OTAN, quando verificaram que o mesmo encaixava-se como uma luva em seus anseios, promoveram uma ligeira mudança nos tons das três cores utilizadas, bem como uma pequena alteração no padrão dos “pixels”, além da inserção de uma minúscula réplica do brasão dos Marines aproximadamente a cada meio metro de tecido, o que garantiu que não fosse necessário pagar “royalties” pelo uso do novo desenho. Também é disponível nas versões mata ou deserto, tendo sido adotado no ano de 2003.
   
Outras mudanças significativas, que foram além daquelas introduzidas no uniforme Canadense, são no aspecto funcional: como agora sobre o uniforme é necessariamente usado o colete balístico, os bolsos superiores da blusa tiveram os botões substituídos por velcro, a fim de evitar a abrasão e desconforto com o uso prolongado, assim como prevenir o agravamento de ferimentos no caso de projéteis ou fragmentos atingirem a região dos botões ou próxima a eles; os bolsos ainda tiveram seu ângulo mudado de totalmente vertical para uma inclinação da abertura em direção ao centro do peito, de forma a facilitar o acesso com uma pequena abertura do colete balístico, sendo desnecessária sua abertura/retirada completa; os bolsos da parte inferior do uniforme foram removidos, pois, quando cheios, interferiam e limitavam a movimentação dada a interação com o colete balístico e o cinto; foram adicionados grandes bolsos na parte superior das mangas, com abertura inclinada para frente, de forma a facilitar o uso/acesso com colete balístico, bem como na posição de tiro deitado; os cotovelos e joelhos receberam bolsos internos para proteções acolchoadas substituíveis/removíveis, essenciais para preservar estas sensíveis partes do corpo no combate urbano, reduzindo a necessidade de aquisição de cotoveleiras e joelheiras de “skatista”, hábito que já estava se difundindo pelas tropas empregadas neste tipo de cenário. Por fim o uniforme, feito de 50% algodão e 50% náilon, recebeu um tratamento para reduzir sua reflexão infra-vermelha. Aliás, cabe salientar que foram feitos exaustivos testes em ambientes com luz natural, artificial, de dia, à noite, ao amanhecer e entardecer, sob neblina, sob a iluminação de “flares” normais ou infra-vermelhos e com visualização por intensificadores de luz, para garantir a adequação da camuflagem e do material usados, sendo que o padrão digital na composição acima descrita superou todos os competidores.
O ACU (Advanced Combat Uniform) do US Army é uma evolução do MARPAT dos Marines, sendo uma as principais diferenças a camuflagem, que usa apenas três cores (areia, verde e cinza) de modo a produzir um uniforme “universal” para uso em ambientes de mata, deserto ou urbano, sendo esta a única versão a ser produzida. Evitou-se o preto devido ao contraste que este apresenta para os intensificadores de imagem, e por não ser uma cor comum na natureza.

ACU (Advanced Combat Uniform).

Outra diferença, quanto ao aspecto prático, foi a substituição dos botões de fecho da blusa por uma combinação de zíper e velcro, pelos mesmos motivos expostos no caso do MARPAT dos Marines, que não atentaram para este detalhe. Os bolsos do peito são ainda mais inclinados e os dos ombros ainda maiores, devido ao “feedback” da tropa. Os bolsos internos para cotoveleiras e joelheiras também estão presentes. A gola foi reduzida, tendo sido adotado um modelo mandarim, para não interferir ou ser desconfortável na interação com o colete balístico, ao mesmo tempo em que protege melhor a região do pescoço em matas fechadas. A distribuição à tropa começa em 2005, tendo sido oficialmente adotado em 2004.

Uniforme ACU e suas características. Observe a insígnia de posto ou graduação junto ao peito.


Uniformes ainda mais avançados, como o Sueco SOTCAS (Special Operations Tactical Suit) da Saab Barracuda, estão em estágio avançado de desenvolvimento, e vão além, com redução das assinaturas térmica e radar, mantendo a leveza e agilidade. Este traje, que pesa em torno de 2,9 kg completo, com uma densidade de 200g/m2, é capaz de reduzir em até 80% a assinatura térmica de um soldado, mesclando-o de forma efetiva com o fundo do meio ambiente que o circunda. A capacidade de ocultação no espectro visual é obviada pela foto, tratando-se de traje similar ao usado pelos caçadores ou “snipers” das diversas forças armadas.

As Vestes

As vestes modulares estão em voga, pois permitem a configuração de bolsos para rádios, equipamentos, granadas, carregadores, etc., de acordo com a missão a ser desempenhada. São exemplos o sistema MOLLE (Modular Lightweight Load-carrying Equipment) e RACK (Ranger Assault Carrying Kit) do US Army e Marines, com similares em dotação pelo exército Alemão. A maior vantagem do sistema é utilizar um sistema de interface entre o acessório e o colete bem diferente daquele anteriormente utilizado, conhecido por “ALICE Clips”, os quais eram clipes metálicos que acabavam por amassar, enferrujar, rasgar o fardamento ou machucar o cambatente. O MOLLE (e seus similares) utiliza um sistema de tiras de náilon tipo “cordura” na veste ou colete balístico, disposto na horizontal e com costuras verticais, com intervalo de uma polegada entre cada costura e entre cada tira horizontal, como pode ser observado nas fotos. O acessório a ser preso na veste tem em sua parte posterior uma, duas ou várias tiras verticais de náilon balístico, costuradas na parte superior e com um fecho de pressão na parte inferior. Espaçadas uma polegada entre si existem algumas tiras horizontais de náilon, sendo que, para prender o acessório à veste, o combatente deve fazer algo como “pontos de costura” entre a veste e o acessório: pega-se a tira vertical de náilon do acessório, passa-se por uma das tiras horizontais da veste, daí por uma das tiras horizontais do próprio acessório e assim por diante, até terminar de “costurar” o acessório à veste, encerrando com o botão de pressão. Isto permite um sistema de fixação resistente, versátil, leve, à prova d’água e inofensivo ao combatente e ao seu fardamento; e, o melhor, já provado em combate. 
 
A esquerda: Colete (FLC) e diversos acessórios da vestimenta MOLLE. Fotos do www.militarymorons.com
A direita: o sistema de presilha dos porta-carregadores, que é o mesmo de todos os outros acessórios.

Colete Balístico Interceptor.
Várias derivações existem no mercado utilizando a mesma interface, e as opções de porta objetos específicos são praticamente infinitas, sendo que cada combatente, de acordo com sua função, seja ela comandante, fuzileiro, granadeiro, metralhador, operador de rádio ou enfermeiro, entre outras, pode montar uma configuração mais adequada ao armamento/equipamento que transporta. Os coletes balísticos, como o novo Interceptor do US Army e US Marines, já incorporam a interface para acessórios, dispensando o uso da veste sobre o colete, mas alguns exércitos, tais como o Inglês, o Alemão, o Canadense e o Israelense ainda preferem o uso de colete e veste separados, para o uso tão somente da veste em regiões de climas extremamente quentes e úmidas, para uso sobre coletes salva-vidas ou em atividades físicas extremas, tais como escaladas de montanhas.
  
Da esquerda para a direita: Veste RACK, veste RACK com acessórios e veste DOAV , uma das mais populares e versáteis.

Combatente usando o uniforme ACU, colete balístico Interceptor e acessórios afixados a este último.

Quanto à modularidade, algumas forças armadas, e mesmo alguns segmentos das forças armadas norte-americanas, preferem o uso de vestes não-modulares, dada sua maior resistência, existindo uma para cada função do combatente, e mesmo algumas que, com pequenas alterações, servem quase a todas. É o caso da DENALI da High Speed Gear Inc., uma das melhores e mais versáteis vestes multifuncionais do tipo “chest harness”, ou seja, aquela que se coloca sobre o peito, da mesma forma que as utilizadas pelos Vietcongs desde os idos de 1960, tem como principais vantagens, além da enorme versatilidade do design e da grande capacidade de carga (12 carregadores padrão M-16, dois cantis flexíveis de 2/4, quatro granadas ofensivas, duas granadas defensivas, quatro carregadores de pistola, entre outros vários compartimentos), a facilidade de vestir/despir em emergências, a não interferência com o uso da mochila, de colete balístico, de cintos tipo NA e de material de rappel, pára-quedismo ou mergulho. Há também aquelas mistas, com bolsos fixos e espaços com interface MOLLE combinados.
 
A equerda: Combatente Canadense com uniforme CADPAT e veste multifuncional sobre um colete.
A direita: 
Oficial Inglês e um militar do US Marines Recon, unidade equivalente aos Comandos Anfíbios da MB. Este último está usando uma veste DENALI da High Speed Gear Inc., a favorita das principais unidades de Operações Especiais norte-americanas e britânicas. Observe a tendência de utilizar a insígnia de posto ou graduação junto ao peito, também no Exército Britânico. 






Os Acessórios

As botas de combate, parte integrante do uniforme, também passaram por mudanças que buscaram melhorar seu desempenho, conforto e adequabilidade ao combate moderno.

Botas de combate canadenses.
Os americanos, assim como os ingleses e canadenses, observaram que a tradicional bota de combate de couro e náilon era a parte do uniforme que mais dava contraste sob iluminação infravermelha ou através da observação por intensificadores de imagem. Após estudos chegaram a soluções diversas para o problema: os canadenses passaram a utilizar a camuflagem CADPAT em toda a bota, ao passo que os americanos resolveram adotar uma bota de cor neutra que servisse tanto para o deserto, como também para a selva, sendo que para esta nova bota foi escolhido uma espécie de marrom-esverdeado, por ser uma cor muito mais natural que o preto, de fácil mistura com o meio ambiente e, o mais importante, sem o problema de reflexo infra-vermelho. Para aumentar ainda mais a discrição da bota, ela é construída com a parte áspera do couro para fora, de forma inversa ao tradicional, pois descobriu-se que assim ela fica praticamente invisível à observação dos intensificadores de luz. O uso de graxa nos calçados, fonte de reflexo IV e de contraste para os OVN (óculos de visão noturna), foi obviamente proibido.
Botas de combate norte-americanas: note o uso de apenas uma escova com água para limpeza.

Além destas alterações estéticas, as botas ganharam revestimento térmico que diminui o calor e expulsa o suor dos pés, solado com uma fina chapa de aço entre as camadas da sola para evitar a perfuração dos pés por estacas de bambu na guerra de selva, e botões-respiro ou drenos da lateral interna das botas melhorados com uma rede metálica mais fina, a fim de impedir a entrada de areia quando no deserto, ao mesmo tempo em que permite a saída da água na selva. A palmilha e a forração interna é do tipo atlética, com amortecimento de impacto e proteção bactericida.
O capacete PASGT também mudou: a parte traseira foi encurtada, pois se percebeu que, em combate, a posição de tiro deitado era prejudicada, principalmente com o uso do capacete em conjunto com o colete balístico ou com a mochila de combate. As laterais também foram encurtadas para melhorar a compatibilidade com equipamentos de rádio-comunicação e com protetores auriculares com regulagem eletrônica, como os Peltor Tac Ear, em uso pelas unidades de elite: há um pequeno circuito eletrônico neste protetor auricular com uma regulagem de decibéis que permite um ganho de audição dos sons “normais” e que automaticamente corta o ganho de som quando um disparo ou uma explosão ocorre muito perto do usuário; possui também entradas para conexão de rádio/HT e microfone convencional ou de garganta. O suporte para OVN agora também é parte integrante do capacete que, ainda assim, ficou bem mais leve.

Novo modelo de capacete PASGT.

Protetores auriculares da Peltor, modelo Tac Ear. Note o botão de regulagem de volume do som e as entradas para rádio e microfone.

Os cintos de combate normalmente deixaram de ser usados pela maioria da tropa, em favor das vestes de combate multifuncionais, que levam todo o equipamento e são muito mais confortáveis de utilizar, cansando menos o usuário durante longas marchas. Porém alguns ainda utilizam cintos de combate e, para tanto, foi desenvolvido um suspensório de perfil baixo e em X, para ser utilizado sob o colete balístico, que não possui todo o acolchoado e os ajustes de fivelas metálicas dos tradicionais modelos em Y ou H, utilizados desde a época do Vietnam, e em uso por nossas FFAA, dado o fato de o “grosso” da carga ser transportado na veste de combate ou no próprio colete balístico. 
Além desta melhoria, foi introduzido um sistema de suspensão, com uma espécie de anéis de anéis de borracha e um anel de “paracord” de maior diâmetro, a fim de dar uma flexibilidade que reduz o desconforto quando usado com os citados colete balístico e vestes de combate.

Versão atual, onde notamos a parte posterior com uma corrediça plástica, ao invés da tradicional costura, o que aumentou a flexibilidade e o conforto. Fotos do www.militarymorons.com
Uma outra criação, também da High Speed Gear Inc., é um sistema MOLLE para uso por parte de tripulantes de blindados e pilotos de helicópteros ou aeronaves, que permite o porte de pistola, carregadores e de diversos outros itens, de acordo com a necessidade operacional.

Versão para deserto, com acessório tipo coldre e bolsa multifuncional em um dos lados, e porta carregador triplo para pistola do outro.


Versão para mata, com coldre para pistola e porta carregador triplo em um dos lados, e porta carregador quádruplo para fuzil M-16 do outro. É apenas mais uma das inúmeras configurações possíveis. Note a corda elástica de segurança sobre a empunhadura da pistola, destinada a mantê-la no lugar mesmo em atividades muito dinâmicas.