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Guarda Municipal RJ, integrante do antigo Grupamento de Ações Especiais e agora GOE, Grupamento de Operações Especiais

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

ARMAS - Pressão pelo porte


Categorias do funcionalismo fazem lobby pela aprovação de propostas que permitem o uso de revólveres e pistolas em serviço


Reajustes salariais, planos de carreira e redução de carga horária não são mais os únicos benefícios almejados por servidores públicos. O porte de armas entrou para a lista de pedidos feitos por diversas categorias do funcionalismo. A batalha para receber autorização para circular com uma arma causa sobrecarga no Congresso. Desde 2004, 88 projetos de lei que alteram o Estatuto do Desarmamento tramitaram no legislativo, 71 na Câmara dos Deputados e 17 no Senado Federal. A maioria dessas propostas prevê a concessão a categorias como agentes de trânsito, auditores fiscais, oficiais de Justiça, agentes socioeducativos, guardas prisonais e até advogados públicos.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. Preocupado com o impacto que a ampliação da concessão de armas causaria na segurança pública, o governo monitora a tramitação de todos esses projetos no Congresso e se posiciona contrariamente a qualquer iniciativa de flexibilizar o Estatuto do Desarmamento. “Existe uma cultura de caráter corporativista que enxerga o porte de armas como um benefício. Mas, na maioria das vezes, essa reivindicação não é feita com base em dados que comprovem a necessidade”, comenta o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira.

Para ele, a aprovação dessas mudanças seria “um retrocesso sem precedentes”. “Até nos Estados Unidos já há um debate sobre a necessidade de aumentar o controle e aqui no Brasil vemos o andamento desses projetos que ampliam o porte e reduzem a fiscalização. A arma registrada mata tanto quanto a ilegal e nosso objetivo é reduzir e não ampliar o número de armas em circulação”, acrescenta Marivaldo.

A legislação só autoriza o porte de armas mesmo fora do horário de serviço a militares das Forças Armadas, PMs, guardas municipais de capitais e de cidades com mais de 500 mil habitantes, agentes da Agência Brasileira de Inteligência e do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

 Sanção

Entre as propostas em análise no Congresso, a única que avançou até agora foi o Projeto de Lei nº 87/2011, de autoria do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O texto autoriza o porte de armas fora do horário de serviço para agentes e guardas prisionais e integrantes de escoltas de presos, além dos que fazem a vigilância nos portos. Aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em caráter terminativo, a proposta foi encaminhada para sanção presidencial na semana passada.

O diretor do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo, Luiz da Silva Filho, diz que essa é uma reivindicação antiga da categoria. Ele acredita que, com porte de armas 24 horas por dia, a categoria estará mais segura. “Já fui seguido na rua com minha mulher e meus dois filhos, já recebi ameaças em casa. Não podemos sair na rua sem estarmos armados. O revólver pode não resolver tudo, mas certamente nos deixa mais seguros”, comentou Luiz.

Em pauta

Confira propostas em tramitação no Congresso que permitem o porte de arma a determinadas categorias

Guardas municipais

» O Projeto de Lei nº 3.969/2008, do deputado Renato Amary (PSDB/ SP), autoriza o porte de arma de fogo aos integrantes das guardas municipais de todas as cidades, independentemente do número de habitantes. A proposta foi recebida pela Comissão de Finanças e Tributação em junho deste ano. Há vários outros projetos sobre o porte de guardas municipais.

Câmara Legislativa

» O Projeto de Lei nº 1.966/2011, do deputado Edsom Pimenta (PcdoB-BA), concede porte aos integrantes do órgão policial da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Este mês, acabou o prazo para emendas, sem nenhuma apresentada.

Agentes de Segurança Socioeducativos

» O Projeto nº 1.060/2011, do deputado Dr. Ubiali (PSB/ SP), concede porte a agentes de segurança socioeducativos. A proposta está na Comissão de Seguridade Social e Família.

 Ministério Público da União

» A Procuradoria Geral da República apresentou em 2010 o Projeto de Lei nº 7.896, que concede porte de arma aos seguranças integrantes das carreiras de analista e técnico do Ministério Público da União. O projeto está na Comissão de Segurança Pública.

Justiça

» O Projeto nº 301/2009, do senador Gim Argello (PTB-DF), permite porte de arma pelos agentes e inspetores de segurança do Poder Judiciário e pelos agentes de trânsito dos estados e do Distrito Federal. A proposta está na Comissão de Relações Exteriores e Defesa.

Executivo federal

» O Projeto nº 287/2008, do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), estende o direito a porte de armas aos agentes de vigilância do Poder Executivo Federal. A proposta está na Comissão de Relações Exteriores e Defesa.

IML

» O Projeto nº 199/2006, do senador Sérgio Zambiasi (PTB–RS), permite o porte de arma 24 horas aos integrantes de carreira de Institutos de Criminalística, de Identificação e de Medicina Legal. A proposta está na Comissão de Constituição e Justiça e já tem parecer favorável à aprovação

50kW High Energy Laser é demonstrado com sucesso na Suíça



Novo modelo desenvolvido pela Rheinmetall é cinco vezes mais destrutivo que sua versão anterior.


“Não sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas sei como será a Quarta: com paus e pedras”, disse certa vez Albert Einstein — antevendo o potencial destrutivo da então emergente indústria bélica. Bem, talvez não seja muito arriscado levantar uma hipótese também para a Terceira: ela pode ser com lasers!
Pelo menos é o que indica o novo modelo desenvolvido pela Rheinmetall, cujo objetivo é se tornar o suprassumo da artilharia antiaérea. O novo HEL (sigla em inglês para laser de alta energia) demonstrado recentemente na Suiça tornou-se, de acordo com a fabricante, 500% mais efetivo do que a sua versão anterior.

Uma lupa para formigas gigantes

A nova unidade tem potência de 50 quilowatts e é estacionária. O “gadget” consiste em duas estações — uma de 30 e outra de 20 quilowatts —, de forma que os raios produzidos por ambas se sobrepõem para atingir um único objeto. Durante as demonstrações, o laser cortou uma chapa de aço com 15 milímetros a uma distância de um quilômetro.

O novo HEL também derrubou drones distantes dois quilômetros — embora tenha detectado os objetos voadores um quilômetro antes — e deslocando-se a 50 metros por segundo. Além disso, a Rheinmetall também afirmou que o aparato é capaz de acertar balas de aço cruzando o ar à mesma velocidade — as quais servem para emular a trajetória de morteiros. Assim como os drones, as bolotas também foram reduzidas a cinzas.
O sistema tem sido desenvolvido para utilização em uma variada gama de dispositivos contra ataques aéreos — a fim de conter mísseis e morteiros, basicamente. E há planos para o ano que vem, quando a companhia pretende algo ainda mais poderoso: “Nada deve ficar no caminho do sistema de armamento HEL com saída de 100 quilowatts”, afirmou um release de imprensa da Rheinmetall. Enfim, prepare seus paus e pedras.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que Nova York pode ensinar a SP no combate à violência?

Nova York já foi vista como uma das metrópoles mais perigosas do mundo, alcançando em 1990 seu pico de homicídios: 2.262 em um ano, média de 188 por mês.
sse cenário mudou: a cidade de 8 milhões de habitantes apresentou uma das maiores reduções de crimes registradas nos EUA. E recentemente, em 26 de novembro, teve um dia inédito, sem nenhum registro de crimes violentos.
Algo assim é extremamente incomum, mas reflete uma tendência de queda na criminalidade. O número de homicídios em Nova York caiu para 515 em 2011 - uma redução de quase 80% em relação à década de 1990.
São Paulo teve queda equivalente nos casos de homicídio desde os anos 1990. A estatística mais antiga disponibilizada pelo governo é de 1996, quando 4.682 casos foram registrados. Em 2011, foram 1.019 - uma queda aproximada também de 80%.
Já em São Paulo, diferentemente de Nova York, os números da violência voltaram a subir neste ano.
A cidade americana contabilizou 376 homicídios entre janeiro e 26 de novembro deste ano, queda de 21% em relação ao mesmo período de 2011. Na capital paulista, segundo os dados mais recentes, os assassinatos subiram 33% entre 2011 e 2012, no período entre janeiro e outubro (dado mais recente disponível). Foram 870 mortes no ano passado e 1.157 neste ano.
 
O aumento dos homicídios foi puxado por uma onda de violência entre polícia e facções criminosas que começou em maio e se intensificou em setembro. Só entre agosto e outubro, São Paulo registrou 433 homicídios, mais do que Nova York deve registrar durante todo o ano.
Em crimes contra o patrimônio, a redução foi muito maior em Nova York na série histórica, em comparação com São Paulo (veja quadro).
Não há consenso entre especialistas quanto a quais pontos da "receita" de Nova York tiveram mais impacto na redução da criminalidade. Mas analistas ouvidos pela BBC Brasil e estudos apontam as medidas que acreditam ter sido mais eficazes.
Será que a cidade americana tem algo a ensinar às metrópoles brasileiras em redução da violência?
Camila Dias, pesquisadora do NEV (Núcleo de Estudos da Violência da USP), considera "interessantes" algumas iniciativas de Nova York, mas critica a "base ideológica da política de segurança pública americana, de encarceramento massivo e segregação".
O especialista em segurança pública Guaracy Mingardi cita diferenças cruciais entre os sistemas judiciais e policiais entre Brasil e EUA – lá, por exemplo, as polícias são de controle municipal; aqui, estão sob os Estados e divididas entre PM, Polícia Civil e perícia.
Mas os dois comentam como as medidas adotadas em Nova York se comparam a São Paulo. Confira:

Modelo da 'janela quebrada'

os anos 1990, a prefeitura de Nova York pregava o combate a crimes pequenos e a prevenção do vandalismo ("janelas quebradas"), para impedir uma espiral de violência que levasse a crimes mais graves.
"A questão foi intervir na (degradação do) espaço urbano, que contribui para a instalação de gangues", explica a brasileira Elenice Souza, da Universidade Rutgers (Nova Jersey), autora de estudos sobre violência no Brasil e nos EUA.
"Em Nova York, houve a restauração de áreas públicas onde problemas de violência eram visíveis", agrega. Também foram fechados "mercados abertos" de drogas, onde o tráfico atuava livremente.
E em SP? Para Mingardi, o modelo tem validade em locais como a cracolândia, em São Paulo – área central e urbanizada, mas degradada pela ação do tráfico -, mas não em bairros periféricos, áreas enormes e pouco urbanizadas onde as dificuldades da polícia são maiores.
Camila Dias considera "importante" a recuperação de espaços públicos, mas critica a ação já feita na cracolândia: "Recuperar o espaço não significa limpá-lo, afastando dele alguns segmentos sociais."

Identificar focos de criminalidade e patrulhá-los preventivamente

Para alguns observadores, o modelo da "janela quebrada" foi superestimado em Nova York. O mais importante, dizem, foi identificar focos de criminalidade para concentrar, ali, ação preventiva.
"Foi possível assinalar áreas pequenas onde criminosos mais atuavam, onde sabia-se que crimes iam ocorrer", diz Tom Reppetto, ex-policial e autor de livros sobre a polícia nova-iorquina. Ele sugere que essas áreas tenham presença visível e constante da polícia.
"O mais importante é a localização da polícia", complementa Frank Zimring, professor da Escola de Direito da Universidade da Califórnia e autor de artigos sobre a criminalidade em Nova York.
Segundo ele, as patrulhas preventivas – e em grande número - em focos de crime foi essencial para reduzir a violência. "O crime é mais situacional do que se pensa, inclusive homicídios. Com a patrulha policial, pessoas que iam cometer crimes simplesmente foram fazer outra coisa."
E em SP? Com efetivo insuficiente para policiamento preventivo, a Polícia Militar paulista "está, na maior parte do tempo, atrás do crime que já ocorreu", afirma Mingardi.
Para Dias, o policiamento preventivo poderia coibir pequenos delitos e servir como parte de uma estratégia mais ampla. "Mas pode levar à migração de crimes para outros locais. Acho que, no longo prazo, os efeitos seriam pífios."
 

Revistas frequentes

A polícia de Nova York tem como prática preventiva o stop and frisk, ou "parar e revistar".
"Se policiais veem alguém parado em um beco, se aproximam, perguntam se ele está armado e o revistam", conta Reppetto.
A medida é polêmica porque muitos a consideram um desrespeito ao cidadão; outros acham muitas revistas "preconceituosas", por sua tendência a focarem mais pessoas negras e pobres, por exemplo.
Para Reppetto, a revista só é válida se for embasada em suspeitas consistentes. Mas ele alega que a medida reduziu o número de armas nas ruas de Nova York.
E em SP? As revistas já são frequentes em São Paulo, mas também com o foco em traços "raciais" e socioeconômicos, dizem os analistas. Podem ajudar a prevenir alguns tipos de crimes, como brigas de bares, mas não chacinas, afirma Mingardi.

Cortes comunitárias e prisões

Para Souza, teve "papel importantíssimo" a implementação de cortes (tribunais), nos anos 1990, para tratar de crimes menores, mediar conflitos comunitários e violência doméstica e para lidar com usuários de drogas.
 
A ideia é evitar que esses conflitos evoluam e aumentar a confiança dos cidadãos no sistema judiciário e político, diz ela, agregando que aumentou a aplicação de penas alternativas e serviço comunitário.
Quanto aos casos de prisão, não há consenso entre especialistas. Uma tese defendida por Michael P Johnson, que trabalhou na prefeitura nova-iorquina nos anos 90, é de que aumentou na época o número de pessoas presas na cidade, mas elas permaneciam detidas por menos tempo, como "advertência", para punir e mostrar que o sistema está atuante.
E em SP? "(A adoção de cortes comunitárias) é uma medida interessante, mas no Brasil a Justiça ainda está muito distante da população mais pobre, é um bem escasso", afirma Dias.
Mingardi cita os tribunais de pequenas causas, mas faz a ressalva de que, diferentemente dos EUA, não há cortes municipais no Brasil.
"E nossa legislação não prevê detenções de curto prazo, que acabam ocorrendo ilegalmente por decisão de delegados", agrega. "Nos EUA, a pessoa presa é apresentada ao juiz em questão de horas, mas aqui não. E a pessoa presa em flagrante, mesmo que por crimes menores, fica detida à espera da lentidão da Justiça."

Integração, tecnologia e reforma policial

Segundo especialistas, só houve redução do crime graças à adoção de medidas conjuntas e contínuas, por um longo período de tempo, com apoio da tecnologia – abrangendo o CompStat, serviço de compilação de dados, cumprimento de metas e mapeamento do crime; o sistema de monitoramento (com câmeras) da cidade; o uso de laptops nos carros policiais; o compartilhamento de dados entre polícia, sociedade civil e Poder Judiciário; o trabalho de inteligência e de campo para identificar criminosos que tenham fugido ou que não tenham comparecido a audiências judiciais.
 
"A atuação passou a ser proativa e aplicada de maneira apropriada e planejada", defende Reppetto.
Souza cita também a reforma policial realizada em Nova York nos anos 1990, para combater a corrupção e a desmotivação na força. Além do expurgo de oficiais corruptos, foram comprados novos uniformes, aumentados os salários e os recursos da corporação.
"A imagem da Polícia de Nova York mudou drasticamente, ainda que não necessariamente para o bem", afirma Zimring. "O que mostra que mudanças radicais podem acontecer."
E em SP? A polícia paulista conta, desde os anos 90, com o Infocrim, sistema computadorizado que mapeia o crime e que, para muitos, ajudou a reduzir as taxas de homicídio. "Mas falta ouvidoria operante, e as pessoas têm medo de denunciar. A criminalidade muda rápido, e o modelo que fez cair os homicídios já venceu", opina Mingardi.
Para Dias, "não há integração alguma, nem nos níveis mais básicos de instituições que trabalham em áreas próximas". Quanto à reforma policial, ela considera "essencial para se pensar em qualquer mudança mais profunda na estrutura da segurança pública" de São Paulo.
 

Criminalidade, em NY e SP

Homicídios em Nova York:
1990 - 2.265
2011 - 515
2012 (de janeiro a 26 de novembro) - 376
Homicídios em São Paulo:
1996* (dado mais antigo disponível) - 4.682
2011* - 1.019
2012** (de janeiro a outubro) - 1.157
(*Número de casos de homicídio. A Secretaria de Segurança Pública só começou a divulgar o número de vítimas de homicídio a partir de 2005. Até então, homicídios múltiplos eram contados como apenas um caso; **número de vítimas de homicídio)
Roubos em Nova York*:
2001 - 60.965 casos
2011 - 38.437 casos
Redução de 37%
(*inclui roubos de residências)
Roubos em São Paulo:
2001 - 112.031
2011 - 109.709
Redução de 2%

DGS - Lança Embarcação Blindada de Baixa Percepção por Radares

O projeto pioneiro foi desenvolvido pela DGS Defence, que utiliza criatividade, inovação e alta tecnologia em engenharia naval



A DGS Defence acaba de lançar a segunda lancha da linha DGS 888 Interceptor, com blindagem e tecnologia stealth (de baixa percepção por radares). A embarcação, produto inédito no país, foi apresentada a militares e autoridades dos governos federal e estadual, no Iate Clube do Rio de Janeiro.

Detentora da patente do modelo, a DGS Defence investiu na embarcação o que há de mais moderno em tecnologia de proteção balística. Sua cabine é blindada em nível NIJ III (utilizada antes somente em aviões de combate), o que a torna resistente a disparos de projéteis calibres 7,62 mm, e tem visão noturna.

Para garantir alta performance, a propulsão do DGS 888 Interceptor é feita por três motores de popa Evinrude que juntos geram 900 HP, permitindo velocidades superiores a 50 nós. O casco é fabricado em copolímero de etileno, plástico de engenharia de alto peso molecular – material também empregado em coletes a prova de bala e na blindagem de viaturas de combate –, o que oferece a essas embarcações extrema resistência a situações adversas.

Com foco em sustentabilidade, a DGS desenvolveu essa embarcação com materiais 100% recicláveis. A cabine, de alumínio, e seu casco podem ser totalmente reaproveitados. Além disso, durante o processo de fabricação, os resíduos do corte são aspirados, ensacados e enviados para empresas de reciclagem. No processo de produção, não são gerados ruídos acima de 80 decibéis, gases, fumos nocivos nem contaminação de água.

“Desenvolvemos uma nova geração de lanchas militares para o Brasil. Não existe similar no país. É uma grande conquista da equipe da DGS, que levou quase um ano para desenvolver o projeto do DGS 888 Interceptor”, explica Abilio Di Gerardi, fundador e presidente do estaleiro DGS Defence.

Sobre a DGS Defence

A DGS Defence é um estaleiro carioca dedicado a projetos e construção de embarcações militares, com o uso de alta tecnologia em engenharia naval. Cada lancha DGS é um projeto exclusivo, desenvolvido a partir das necessidades e características especiais de cada missão.

“Criamos uma nova geração de embarcações militares para o governo brasileiro, baseada em inovação tecnológica, desenvolvimento de novos materiais e alta tecnologia naval”, afirma Abilio Di Gerardi, presidente da DGS Defence. “Todas as embarcações tem alta resistência durante a operação – são insubmergíveis e utilizam materiais incombustíveis na sua fabricação, além de oferecer economia operacional, com custo de manutenção extremamente baixo”, explica Abilio Di Gerardi.

Fundada em 1998, a DGS Defence desenvolveu e detém a patente das embarcações tubulares rígidas híbridas (Extreme Hull - XH®). Também possui vários atestados de capacidade técnica de seus clientes, entre os quais Marinha do Brasil, Odebrecht e OceanPact, além de ser homologada pela Marinha do Brasil. E é o único estaleiro do país que produz um modelo de lancha de interceptação e patrulha blindada, de alta velocidade e com sistema de baixa assinatura radar (tecnologia stealth), a DGS 888 Interceptor.

Entre outros modelos de sua linha de produção, destacam-se: a DGS 600, que tem capacidade de transportar até oito tripulantes, possui motorização de 115 a 200 hp e suporta até 1.100 kg de carga, e a DGS 750, com capacidade de transportar até 11 tripulantes, motorização de 150 a 400 hp e capacidade de suportar até 1.520 kg de carga. Todas tem casco extreme hull  – podendo ser arrastadas sobre qualquer superfície, como pedra e areia –, e são insubmergíveis e não pegam fogo.

Ações nas fronteiras prendem 20 mil desde junho de 2011, diz ministério

Estatística é parte de balanço do programa Plano Estratégico de Fronteiras. Iniciativa do governo federal tenta reduzir os crimes nas áreas fronteiriças

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, divulgou nesta terça-feira (18) que 20.737 pessoas foram presas em flagrante durante operações de combate ao crime nas fronteiras do país entre junho de 2011 e novembro de 2012. No mesmo período, informou o ministro, as autoridades policiais apreenderam 81,49 toneladas de drogas e 375 armas de fogo.
Os números fazem parte de balanço do Plano Estratégico de Fronteiras, criado para combater crimes transnacionais na divisa com países vizinhos. As estatísticas foram divulgadas durante cerimônia no Palácio do Planalto que contou com a presença do vice-presidente da República, Michel Temer, e do ministro da Defesa, Celso Amorim.
“Houve investimentos bastante expressivos em matéria de segurança em função da operação das fronteiras. São números que quintuplicam, sete, oito vezes aquilo que se apreendeu no passado”, disse Temer ao anunciar o resultado parcial do programa.
O titular da Justiça revelou medidas que estão sendo tomadas pelo governo federal para reforçar a segurança nas áreas de fronteira, entre elas iniciativas para estimular policiais federais e rodoviários a permanecerem nesses locais.
Segundo Cardozo, está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei que prevê o pagamento de gratificações adicionais aos servidores que se dispuserem a morar em localidades de difícil fixação dos efetivos, consideradas estratégicas. Os municípios que possibilitarão os pagamentos extras serão definidos posteriormente pela União.
O pacote de incentivos para a transferência de servidores para as fronteiras, ressaltou o ministro da Justiça, também inclui a construção de 388 residências para policiais federais e rodoviários até 2014. O investimento do governo nessas moradias alcançará R$ 53 milhões, observou Cardozo.
Segurança nas fronteirasLançado em junho de 2011, o Plano Estratégico de Fronteiras realiza operações policiais nas áreas fronteiriças do país sob a coordenação de órgãos de segurança pública e das Forças Armadas. O programa de segurança nas fronteiras é dividido em duas operações: a Ágata e a Sentinela.
A Operação Ágata é realizada, periodicamente, sob o comando do Ministério da Defesa e com o apoio dos ministérios da Justiça e da Fazenda. Durante as seis edições da operação, informou o governo federal, cerca de 320 mil veículos foram vistoriados, 222 aeronaves inspecionadas e 4 pistas clandestinas de pouso de aviões desativadas. Além disso, foram apreendidos 19.892 quilos de explosivos e 11.801 quilos de entorpecentes.
Já a Operação Sentinela, comandada pelo Ministério da Justiça, é permanente e ocorre em pontos de fronteira considerados vulneráveis pelas autoridades policiais. As ações da Sentinela desarticularam 42 organizações criminosas transnacionais e apreenderam 1,89 milhões de medicamentos falsificados e proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Santiária (Anvisa).
Foi também por meio da Operação Sentinela que ocorreram as mais de 20 mil prisões em flagrante anunciadas nesta terça pelo ministro da Justiça.
Ao todo, 30 órgãos, ligados a 15 ministérios, atuam de forma integrada para combater os crimes fronteiriços. De acordo com o governo, desde que foi deflagrado o plano de fronteiras, cerca de 60 mil militares das Forças Armadas foram destacados para reforçar as operações policiais.
Copa das ConfederaçõesOs ministros da Justiça e da Defesa anunciaram no balanço desta terça que o governo irá intensificar o combate ao crime nas fronteiras nos meses que irão anteceder a Copa das Confederações, evento preparatório para o mundial de 2014.
O Plano Estratégico de Fronteiras assinou acordos de parceria com os governos de Colômbia, Bolívia, Argentina, Paraguai, Peru e Uruguai com o objetivo de dar mais efetitivade ao combate de crimes transfronteiriços.
Essas parcerias, disse o governo, possibilitaram a erradicação de plantações de maconha que poderiam gerar cerca de 400 toneladas de droga no Brasil.
Segundo a Polícia Federal, em 2011, foram queimados 487 hectares de maconha no Paraguai e 100 hectares de plantações de cocaína no Peru. Essa cadeia produtiva interrompida geraria 1.450 toneladas de maconha e 500 quilos de cloridrato de cocaína por ano, equivalentes a 10 vezes o montante da droga recolhido nos nove primeiros meses de execução do plano federal.

Grande operação militar irá monitorar fronteiras antes da Copa das Confederações

Militares das três Forças Armadas vão monitorar pontos críticos ao longo de toda a fronteira terrestre brasileira antes da realização da Copa das Confederações, que ocorrerá em junho de 2013.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, que participou na manhã desta terça-feira, ao lado do vice-presidente da República, Michel Temer,  do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, José Elito Carvalho Siqueira, de evento para divulgar balanço do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF) do Governo Federal.

Segundo Amorim, a megaoperação militar – que representará a sétima edição da Operação Ágata, de combate a ilícitos na fronteira – deverá mobilizar, pelo menos, o dobro de efetivos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica que costumam participar dessas ações. Nas seis edições anteriores da Ágata, um total aproximado de 58 mil militares atuou nas fronteiras, uma média de quase 10 mil por operação. Como a ação é feita a partir de dados de inteligência, o período e os locais para onde serão enviadas as tropas ainda não podem ser divulgados.

"Será um pouco antes da Copa das Confederações, com uma antecedência que não interfira no fluxo de turistas que venham assistir ao torneio", disse o ministro da Defesa, para quem a ação militar tem objetivo essencialmente “dissuasório”. De acordo com Amorim, uma outra edição da Operação Ágata – a oitava – deve acontecer também ao longo do segundo semestre do ano que vem.

Plano Estratégico de Fronteiras

No evento de hoje, Amorim, Michel Temer e José Eduardo Cardozo apresentaram os principais resultados do PEF, lançado em 2011 para aumentar a presença do Estado brasileiro nas regiões de fronteira e combater crimes transnacionais na divisa com dez países sul-americanos.

Na ocasião, Temer afirmou que, desde o início das operações, foi possível descobrir as principais dificuldades de atuação nas áreas abrangidas e aprimorar as ações de inteligência e a integração entre militares das Forças Armadas e agentes dos órgãos de segurança pública. “Os números são impressionantes”, destacou, referindo-se aos resultados apresentados pela Operação Ágata, coordenada pelo Ministério da Defesa, e pela Operação Sentinela, coordenada pelo Ministério da Justiça.

Em 18 meses, o Ministério da Defesa (MD) realizou seis edições da Ágata perfazendo 24.782 quilômetros de fronteiras, superando o percurso fronteiriço do Brasil com os vizinhos da América do Sul. Ao todo, as operações geraram 319.635 vistorias de veículos, 222 inspeções de aviões, quatro pistas clandestinas de pouso destruídas, apreensão de 19.892 quilos de explosivos e 11.801 quilos de entorpecentes. Além disso, 5.681 embarcações foram vistoriadas e 498 delas foram apreendidas. Além das ações de caráter preventivo, militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica desenvolvem as chamadas ações cívico-sociais (Acisos) nas fronteiras. Por meio delas, populações carentes recebem atendimentos médicos e odontológicos e distribuição de medicamentos. A ação conta com apoio do Ministério da Saúde. Em um ano e meio, as Forças Armadas entregaram cerca de 200 mil remédios, realizaram 29.482 atendimentos médicos e 18.304 odontológicos e 9 mil vacinações.

Já a operação Sentinela, que envolve a atuação de agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública, entre outros, resultou em apreensões de diferentes espécies: 350 toneladas de drogas, 9.545 veículos, 2.235 armas de fogo, 280.785 munições, 16.222.9936 pacotes de cigarro, 1.898.637 fármacos e R$ 10.775.064 de dinheiro. A Sentinela gerou ainda a prisão de 20.737 pessoas em flagrante.

“O resultado tem sido positivo”, afirmou o ministro da Justiça, ao divulgar o balanço. José Eduardo Cardozo disse ainda que novas ações serão feitas, no âmbito de sua pasta, para complementar o trabalho produzido pela Operação Sentinela. Segundo ele, até 2004, a Justiça deverá investir R$ 53 milhões na construção de residências funcionais para policiais federais e policiais rodoviários federais que atuam nas fronteiras. Novas delegacias da Polícia Federal também estão em processo de construção nesses locais.

Participaram também do evento de hoje, realizado na Vice-Presidência da República, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e o chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, brigadeiro Ricardo Machado Vieira.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Venceu Bope 'sem pedir para sair'


1  1ª mulher a comandar tropa de elite

 

Cynthiane teve cabelo raspado e ficou 5 meses na mata em curso do Bope. 
Oficial lidera o Batalhão de Choque da PM do DF e diz: 'ainda quero mais'.

Tenente-coronel Cynthiane Maria Santos comanda tropa de choque da PM no DF  (Foto: Vianey Bentes/ TV Globo)Tenente-coronel Cynthiane Maria Santos comanda tropa de choque da PM no DF (Foto: Vianey Bentes/ TV Globo)
Cynthiane raspou o cabelo e passou cinco meses com um grupo de homens na mata, enfrentando dificuldades impostas por um dos mais rigorosos cursos de ações táticas e operações especiais do país, que prepara policiais de tropas de elite para atuar em situações complexas como sequestros e distúrbios em presídios. No dia 19 de outubro, a hoje tenente-coronel Cynthiane Maria Santos, de 40 anos, foi nomeada pela Polícia Militar a primeira mulher a comandar uma tropa de elite no Brasil: o Batalhão de Choque do Distrito Federal.
No curso [do Bope], a pressão é tanta que você fica assexuado. Não tive nenhum problema"
Cynthiane Maria Santos, tenente-coronel da PM
cynthiane_policia_flores_300 (Foto: Brito/Agência Brasília)Oficial recebe buquê de flores da primeira-dama do
DF em solenidade (Foto: Brito/Agência Brasília)
Rastejar na lama, buscar criminosos na mata e suportar frio, longas caminhadas, noites sem dormir, racionamento de comida e horas seguidas de aulas de tiro garantiram a Cynthiane a farda com uma caveira, símbolo das melhores tropas de elite do mundo.
Ela é uma das poucas brasileiras a concluir um curso da elite da polícia. Formada em 1999 no treinamento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Distrito Federal, foi a única mulher em meio a 42 homens. Vinte abandonaram. Ela, não.

Ela garante que não teve qualquer regalia ou diferencial em relação aos demais colegas. Nos treinamentos na mata, tinha que procurar "uma moita" mais longe quando precisava ir ao banheiro. "No curso, a pressão é tanta que você fica assexuado. Não tive nenhum problema".
"Ainda há preconceito. Ouço comentários de que não acreditam que eu concluí o curso, que não sou capaz. Mas os homens me respeitam, nunca tive caso de insubordinação. Ainda quero mais. Todo mundo sabe que meu sonho é comandar o Batalhão de Operações Especiais", diz a tenente-coronel.
'Pede pra sair'
As dificuldades do curso fizeram Cynthiane pensar em desistir. "Eu falava 'vou pedir para ir embora, não aguento mais', e meus colegas do curso me incentivavam a fazer isso. Eles respondiam ‘pede, pede para sair mesmo, porque daí eu posso sair também’. Não desistiam porque eu ainda estava lá", relembra. "Mas daí eu pensava: daqui eu não saio, daqui ninguém me tira".

Além do Distrito Federal, nove estados possuem Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em nenhum deles, no entanto, uma mulher completou o curso de formação. Em Roraima, uma sargento passou nos testes físicos e psicológicos, conseguiu ingressar no treinamento que dura 7 meses, mas foi cortada depois de 80 dias. Segundo o major Elias Santana, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais de Roraima, ela não suportou as adversidades do curso.
Eu falava 'vou pedir para ir embora, não aguento mais', e meus colegas do curso me incentivavam a fazer isso. Eles respondiam ‘pede, pede para sair mesmo, porque daí eu posso sair também’.
Cynthiane Maria Santos
No Bope do Rio de Janeiro, famoso pelo filme "Tropa de Elite", nenhuma mulher foi formada desde que a unidade foi criada, em 1978. Em São Paulo, tanto as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) quanto o Comandos e Operações Especiais (COE), tropas usadas na repressão contra grupos armados em situações de alto risco, não permitem mulheres em seus grupos operacionais.
cynthiane_policia_bope_df_300 (Foto: Arquivo Pessoal)Cynthiane fez curso do Bope com 42 homens, teve
o cabelo raspado, enfrentou dificuldades, mas não
"pediu para sair" (Foto: Arquivo Pessoal)
Os cursos de Comandos, do Exército, de Para-Sar, da Aeronáutica e de Comandos Anfíbios, da Marinha, também não permitem o ingresso de mulheres. Os três grupos das Forças Armadas formam agentes extremamente especializados em ações contra-terrorismo, no resgate de reféns, em inteligência e ações diferenciadas em zonas de conflito.
"Este universo de tropas especiais é muito masculino. Eu já estou completamente integrada aqui no Distrito Federal, mas deve ter situações pelo país que mulheres ainda enfrentam muito preconceito", afirma Cynthiane.
A minha chegada ao comando mostra que uma mulher pode qualquer coisa, basta querer, ter preparo psicológico e persistência
Cynthiane Maria Santos
Depois de Cynthiane, nenhuma outra mulher fez um curso de operações especiais no Brasil. Onze anos antes dela, duas mulheres, também no Distrito Federal, fizeram um curso semelhante, mas ainda não existia Bope na região.
"A minha chegada ao comando mostra que uma mulher pode qualquer coisa, basta querer, ter preparo psicológico e persistência", completa a oficial, com unhas pintadas de vermelho e longos cabelos pretos presos em um rabo de cavalo.
"Vamos cortar o cabelo longo dela"
Cynthiane recorda que, no início do curso, ouviu uma conversa entre dois instrutores. "Vamos cortar o cabelo longo dela e fazer ela se desligar. Pegar ela pela vaidade", recorda. "Eu ouvi o comentário e cheguei ao quartel de cabelo curto, mas decidiram passar máquina zero. Meu filho tinha 3 anos e se assustou quando me viu. Eu brinco que carreguei cada um dos meus companheiros nas costas, porque tinha que mostrar que eu estava ali para sobreviver, para mostrar para eles que eu era capaz", diz a oficial.
"Acho que foi muito mais difícil para eles, homens, entenderem que eu estava passando por todas as etapas e conseguindo ir adiante, do que para mim. Quando decidi fazer o curso, pensei: eu só saio daqui se algo grave acontecer. Não vou desistir", afirma.
cynthiane_montagem (Foto: Arquivo Pessoal)Nos treinamentos do curso do Bope, Cynthiane não
teve regalias e realizou as mesmas tarefas que os
42 colegas homens (Foto: Arquivo Pessoal)
Treinamento diferenciado
O Bope do Rio de Janeiro, unidade reconhecida como uma das melhores do mundo em incursões em favelas, devido a operações diárias contra traficantes, tem algumas policiais mulheres que trabalham em áreas como medicina e comunicação social. No entanto, segundo o coronel Mário Sérgio Duarte, ex-comandante-geral da PM do Rio e que comandou o Bope, nenhuma delas fez o curso.

"Não há mulheres cursadas no Bope. Até há algumas do quadro de combatente, em outros setores. Tínhamos o projeto de adequar o curso para a presença de mulheres, com um teste de aptidão física (TAF) e treinamentos diferenciados, mas não acabou ocorrendo", diz Duarte.
Para mim, é um enorme desafio comandar o Choque por nenhuma outra mulher ter comandando uma tropa de elite no país. Mas não deixo a feminilidade de lado, por ser o que eu sou. Uso vestido, salto alto, maquiagem. Fora do quartel, eu sou a Cyntiane, não a comandante"
Cynthiane Maria Santos
Através da assessoria de imprensa, o Bope do Rio de Janeiro informou que não limita vagas pelo sexo e que tanto homens como mulheres podem se inscrever no curso. "As provas seletivas são as mesmas e não há previsão para modificação no edital, visando diferença em qualquer etapa do concurso".

Filha de militar do Exército, a tenente-coronel Cynthiane lembra que sempre teve o apoio da família na carreira, desde que ingressou na Academia da PM do Distrito Federal, em 1992. Nas ruas, ela trabalhou no policiamento de trânsito, na Guarda Presidencial e, por um ano, em missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Timor Leste.
"Quando me formei como PM, os tempos eram outros. As mulheres trabalhavam em grupos separados dos homens. Depois que fiz curso de pós-graduação, assumi a responsabilidade por áreas de ensino da polícia", relembra. "Resolvi conhecer um dos vários cursos realizados no Bope e o primeiro que fiz foi para me especializar na segurança de autoridades. Eu estava em ótima forma física e o comandante do Bope me convidou para ficar. Não tinha ideia do que me esperava".

No comando do Batalhão de Choque, que inclui pelotões que buscam conter assassinatos na região metropolitana do Distrito Federal, a oficial diz que a profissão lhe permite viver muitas emoções e "situações bem peculiares". "Quanto você está em uma troca de tiros, sua vida está em risco por milímetros. É uma situação em que você está muito exposto", diz.

Ela recomenda que mulheres tenham coragem para arriscar na carreira. "Para mim, é um enorme desafio comandar o Choque por nenhuma outra mulher ter comandando uma tropa de elite no país. Mas não deixo a feminilidade de lado, por ser o que eu sou. Uso vestido, salto alto, maquiagem. Fora do quartel, eu sou a Cyntiane, não a comandante."

Blindados - Características dos Veículos Urbanos


Com peso extra, carro altera comportamento e pede reeducação ao volante Ao receber a proteção, automóvel tende a inclinar mais em curvas; frenagem também é prejudicada

Com peso extra, carro altera comportamento e pede reeducação ao volante Ao receber a proteção, automóvel tende a inclinar mais em curvas; frenagem também é prejudicada

Ondas de violência como a que ocorre na região metropolitana de São Paulo movimentam o segmento de carros blindados, afirma Christian Conde, presidente da ABRABLIN (associação das blindadoras).

O setor prevê fechar o ano com recorde de aproximadamente 8.900 emplacamentos, cerca de 10% a mais que o registrado em 2011.

O aumento do poder aquisitivo e a queda de cerca de R$ 2.000 no valor médio da proteção balística nos últimos 12 meses também ajudaram a impulsionar as vendas.

Blindar um carro hoje custa, em média, R$ 46.650 (nível 3-A, o máximo permitido pelo Exército para carros de passeio e capaz de suportar tiros até de submetralhadoras Uzi).

"Muitos estão adquirindo o primeiro blindado. Para que o veículo ofereça real proteção, o motorista precisa se reeducar", afirma Conde.

A mudança começa pela postura ao volante. O peso extra da proteção (cerca de 200 kg), concentrado na parte superior do carro, tende a inclinar mais a carroceria nas curvas, aumentando o risco de perda de controle.

A carga adicional acelera o desgaste de peças, como as da suspensão, e prejudica ainda o poder de frenagem.

"O ideal é manter uma distância maior do carro da frente, até porque o condutor pode precisar de espaço para escapar de um ataque", recomenda Roberto Manzini, instrutor de pilotagem.

Parado, o veículo blindado se torna vulnerável por não suportar disparos em um mesmo ponto. É por isso que especialistas em segurança recomendam, por exemplo, que o motorista deixe a marcha a ré engatada enquanto espera o portão da garagem abrir eletronicamente, o que agilizaria uma possível fuga.

Há cursos que ensinam como guiar um blindado. Além de manobras de evasão, o condutor aprende a avaliar situações de risco e como se comportar em cada uma delas.

Um dos mais conhecidos é o módulo Protection, do BMW Driver Training, que dura um dia e custa R$ 2.700.

Utilitários esportivos são os mais blindados

FELIPE NÓBREGA DE SÃO PAULO
 O gerente de inovação Rudney Borges, 29, já decidiu. Irá trocar o seu utilitário blindado por outro, mais novo. "Esses carros são parrudos, espaçosos e versáteis", justifica.

Assim como Borges, milhares de consumidores estão preferindo blindar jipinhos. Com o fenômeno, os sedãs deixaram as primeiras posições no ranking do setor .

Porém, segundo engenheiros ouvidos pela Folha, os utilitários não são o tipo de veículo mais recomendado para receber proteção balística.

"Como o peso extra (cerca de 200 kg) se concentra na parte superior do carro, modelos altos como os SUVs tendem a inclinar mais em curvas, elevando o risco de perda de controle, principalmente mudanças repentinas de direção", diz João Franco, especialista em dinâmica veicular.

A sensação de instabilidade piora quando o carro tem teto panorâmico à prova de balas -os vidros são os principais responsáveis pelo sobrepeso em uma blindagem.

Para minimizar esse efeito, o melhor é optar por modelos com tração integral (AWD), que ajuda na estabilidade. Muitas blindadoras oferecem também kits de reforço para freios e amortecedores, já que a suspensão mais robusta dos utilitários é projetada apenas para suportar o porte avantajado do próprio carro.

A armadura interfere também na dinâmica de picapes e minivans, e a maior área de carroceria eleva os custos da proteção entre 8% e 15% em comparação aos sedãs médios, calcula Rafael Barbero, diretor da Avallon. A empresa cobra, em média, R$ 52 mil para blindar carros grandes.

Hatches e sedãs de boa potência (acima de 140 cv de potência) são menos suscetíveis aos efeitos da blindagem.

"Até o aumento do consumo de combustível acaba sendo menor [no máximo, 10%]", diz Ricardo Dilser, assessor técnico da Fiat.

USADOS

A sensação de insegurança no trânsito não assusta só os mais ricos.

"Muitos potenciais compradores de carros populares novos estão migrando para blindados usados", observa Eisi Uehara, consultor de vendas da Totality Inbra Blindados.

Por R$ 30 mil, é possível comprar, por exemplo, um Chevrolet Vectra ano 2006 à prova de balas.

Isso ocorre porque a depreciação de blindados usados costuma ser maior que a média do mercado.

O desgaste acelerado de vários componentes do carro -por conta do peso extra- e a necessidade de manutenções específicas (e caras), também assustam.

"Após 10 anos, a liquidez cai muito", diz Uehara.

Antes de fechar negócio, o consumidor deve buscar referências da empresa que blindou o veículo e exigir o certificado do Exército (obrigatório), que atesta o nível de proteção.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Acordos com GANGUES do Tráfico: Caminho para o Narcoestado



Artigo Exclusivo de André Luis Woloszyn sobre propostas lançadas para "acordos" com as gangues nacionais
O caso de El Salvador, onde foram feitos acordos, por intermédio da Igreja, entre os Maras, a maior organização criminosa da América Central com ramificações nos EUA, Canadá e Europa, e o governo salvadorenho, ocorreram em um contexto bem diferente daquele que nos encontramos no Brasil.

Esta é uma questão extremamente polêmica e vem ganhando adeptos em importantes  segmentos da sociedade brasileira. Recentemente, surgiu a indicação de que autoridades governamentais poderiam entrar em um acordo com o PCC, na busca de uma trégua  ou cessar fogo, com o objetivo de reduzir o alto número de homicídios no estado de São Paulo e por analogia, em outras cidades brasileiras que apresentem problemas semelhantes.

Para uns  absurdo,  para outros uma possível  solução, o  caso recorda uma recente entrevista, na Revista Veja,  com o consultor de segurança, Douglas Farah,  sobre  narcoestado, onde afirma que governos de países bolivarianos acabaram dando  proteção as atividades criminosas em troca de apoio político interno e externo. Na visão deste, tal iniciativa fortaleceu  as organizações que tiveram oportunidades para troca de experiências com facções e com governos de outros países ampliando a rede internacional e  acarretando a expansão do mercado doméstico de drogas com  grande impacto na criminalidade.

Embora tenha um objetivo nobre, esta polêmica parte de um ponto de vista baseado em exemplos que não se aplicam ao Brasil  por diversos  fatores legais e éticos. O primeiro ponto, é que um acordo de governo com uma  organização criminosa  seria  o reconhecimento de que  esta  se constitui  em um poder  paralelo ao do Estado, equivale a colocá-la na mesma esfera de importância que outros órgãos governamentais. Segundo, além do benefício da delação premiada, não existe previsão legal para tal iniciativa. Terceiro, sob que condições tais acordos ocorreriam, quais os interesses que estas organizações exigiriam que não beire a ilegalidade?  Quarto ponto, e talvez o  mais impactante,  seria admitir que os órgãos do aparelho estatal de segurança não possuem capacidade para tratar desta forma de macrocriminalidade.

O  caso  de  El Salvador, onde foram feitos acordos, por intermédio da  Igreja, entre  os Maras, a maior organização criminosa da América Central com ramificações nos EUA, Canadá e Europa,  e o governo salvadorenho, ocorreram em um contexto bem diferente daquele que nos  encontramos. O país, encontrava-se  em estado  de beligerância, a beira de mais uma guerra civil,  com altos índices de violência e criminalidade e  não havia  mais  controle  sobre as atividades delituosas, por parte do Estado. Nos EUA, existem  acordos legais, a chamada delação premiada, a exemplo do Brasil, onde são reduzidas as penas para quem contribua com  as  autoridades. Mas este benefício ocorre  apenas em  determinados delitos, não contemplando aqueles que atentem contra a segurança do estado, como o terrorismo, por exemplo. 

Se considerarmos a hipótese, como foi aventada, de que um acordo foi realizado em 2006, quando da primeira grande ofensiva do PCC, vemos claramente que a estratégia é falha  pois alguma das partes acabou não cumprindo o que foi acordado ou ainda, as exigências da facção aumentaram, acarretando a atual onda de violência com características de mecanismo de pressão. E o interessante é que diferentemente de episódios anteriores, o alvo atual não é a população de forma indiscriminada, mas o Estado, representado  na Polícia Militar.

Desta forma, acordos com estas organizações  poderiam resolver apenas problemas pontuais da segurança pública, como a queda no número de homicídios, mas por tempo determinado. E por um alto preço, pois além de reforçar a tese defendida por  muitos  intelectuais  de  que a “guerra contra as drogas é uma guerra perdida”,  pode ser  um  caminho sem volta  para  onarcoestado, a exemplo de alguns de nossos vizinhos
.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

GUARDA DO GOE SOCORRE VITIMA EM COPACABANA

Gás mortífero está em mísseis, bombas e granadas de canhão



Saddam Hussein produziu e inutilizou suas armas de destruição em massa no Iraque dos anos 80. O Irã pode montar seu arsenal do pavor quando quiser. A Coreia do Norte testou explosivos atômicos, mas não viabilizou uma bomba. Mas o risco iminente está na Síria, do instável Bashar Assad e seu formidável arsenal estratégico - granadas de artilharia, bombas aerotransportadas e, talvez, mísseis de médio alcance, municiados com cargas químicas. O regime sírio mantém um Comando Aeroestratégico criado por Hafez Assad, pai do atual presidente, que teria, prontas para uso, de 50 a 100 ogivas de 700 quilos de gases letais.

O veículo lançador é o Hwasong-6, uma versão modernizada pela Coreia do Norte do míssil Scud, produzido na União Soviética. A atual configuração tem sistema digital de navegação e alcance expandido, na faixa de 600 km. A unidade militar é definida por Assad como sendo "elemento de dissuasão" e foi organizada pelo general dissidente russo Anatoli V. Kuntsevich, um ex-assessor de Vladimir Putin para assuntos de armas químicas e biológicas. Ele responde desde 2002 a um processo por contrabando de 600 quilos do agente multiplicador do gás VX2, que atua sobre o sistema nervoso central. Kuntsevich é, ainda, o responsável pela instalação de um laboratório na periferia da cidade histórica de Alepo, próximo da fronteira com a Turquia, para a produção de Iperita, o gás mostarda que produz úlceras na mucosa respiratória provocando a morte por asfixia.

Em setembro de 2007, uma explosão acidental na fábrica matou 15 oficiais sírios e feriu 50 técnicos, entre os quais, iranianos e asilados iraquianos.

A transferência, pela Otan, dos antimísseis Patriot, anunciada pelo secretário da aliança atlântica, Andres Hasmussen, garante uma certa defesa. As três baterias sairão da Alemanha, Holanda e EUA. São do tipo PAC/3, preparadas para disparar até 16 interceptadores por vez contra alvos aéreos a 80 km de distância.

Combate à coca põe Brasil em situação delicada com vizinhos


Área com plantação de cocaína e laboratório improvisado são destruídos pela Polícia do Peru e Polícia Federal brasileira participou como observadora. -
Dois policiais brasileiros saltaram de um helicóptero na Amazônia peruana recentemente com um pelotão de agentes peruanos. Tiros ecoaram na floresta antes que o grupo capturasse e destruísse um laboratório secreto de cocaína.

Os brasileiros tinham a posição oficial de observadores desarmados na blitz conduzida em 19 de agosto pela polícia de elite antidrogas do Peru.

Mas ambos os brasileiros carregavam rifles de assalto e tiros foram disparados contra eles. O laboratório ficava no Peru, mas os policiais decolaram de um aeroporto no Brasil, num helicóptero abastecido com combustível brasileiro, para atingir um alvo identificado por um informante pago por brasileiros.

Seja na sua fronteira amazônica ou nas suas cidades, o Brasil está mergulhando mais fundo numa guerra contra as drogas, à medida que o uso crescente da cocaína faz do país o maior mercado consumidor depois dos Estados Unidos. O fato é surpreendente, considerando-se que os políticos brasileiros antes criticavam as estratégias antidrogas patrocinadas pelos EUA, dizendo que elas faziam mais mal do que bem.

Agora, o Brasil está adotando uma polêmica tática americana: atravessar fronteiras para combater a cocaína na fonte.

"O Brasil está ultrapassando um limite do qual ele nem chegava perto no passado", disse Douglas Farah, um consultor de segurança nacional que orienta o Departamento de Defesa dos EUA sobre América Latina e assuntos ligados a drogas.

A presidente Dilma Rousseff está enviando até 10.000 soldados de cada vez para os pontos mais notórios de contrabando de drogas. Ela decidiu há pouco tempo comprar 14 aeronaves não tripuladas israelenses para procurar por traficantes do céu. A Polícia Federal está aumentando em 30% seu número de agentes e equipando-os com 1.000 novos rifles de assalto, mais lanchas e aviões. Uma consequência parcial disso é que o número de pessoas presas no Brasil por crimes ligados a drogas dobrou desde 2006.

Os problemas do Brasil refletem a globalização do negócio da cocaína, já que o uso da droga nos EUA caiu 40% nos últimos dez anos. Os traficantes responderam explorando novos mercados na Europa e em países em desenvolvimento como Brasil, Argentina e África do Sul.

Em São Paulo, a violência ligada às drogas e a proliferação de mercados ao ar livre de crack, um derivado barato da cocaína, levaram os políticos a exigir medidas. Pelo menos 90 policiais militares no Estado já morreram este ano nas mãos dos traficantes de cocaína locais.

A propagação do uso da cocaína está atraindo mais países para o combate aos narcóticos, dizem autoridades americanas.

"Todos esses males vêm para o bem no aspecto da cooperação", disse William Brownfield, que, no seu papel de chefe do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei do Departamento de Estado dos EUA, é o embaixador americano na guerra às drogas. "Estou mais otimista sobre a iniciativa internacional agora do que em qualquer momento do passado, porque o tráfico de narcóticos se tornou tão globalizado que a maioria dos países vê a necessidade de cooperação."

O Brasil assinou acordos de cooperação policial com seus vizinhos para compartilhar informações, conduzir investigações conjuntas e financiar operações nos estrangeiro. Autoridades de alto escalão do Brasil enfatizaram que a polícia do país está proibida de cruzar a fronteira portando armas.

Fazer isso viola os acordos com os países vizinhos e poderia causar incidentes diplomáticos caso um brasileiro seja ferido fora do país, ou se envolva num tiroteio com mortes.

"A gente nao quer entrar em outros paises. Não pode entrar armado. Se aconteceu ali foi errado", disse Oslain Santana, diretor de combate ao crime organizado da Polícia Federal, acrescentando que a polícia peruana poderia prender os brasileiros nesse caso.

Mas alguns agentes dizem privadamente que policiais brasileiros armados às vezes de fato atravessam a fronteira, refletindo o espírito de "toda ajuda é pouca" do combate às drogas em regiões perigosas, onde os reforços estão distantes e as divisas entre países geralmente não são demarcadas.

Tal prática ficou visível em agosto, quando o Brasil se uniu ao Peru numa operação conjunta de três semanas para reprimir a crescente produção de cocaína no lado peruano do Rio Javari, que separa o país andino do Estado do Amazonas.

A polícia do Peru comandou as operações do lado peruano da fronteira. Mas havia pelo menos um policial federal brasileiro armado em cada uma das duas missões para destruir laboratórios de cocaína no Peru em agosto acompanhadas por um repóter do The Wall Street Journal.

Era fácil ver por quê. Os policiais brasileiros eram os que tinham grande conhecimento da floresta e que haviam culti-vado informantes que sabiam onde os laboratórios estavam. Os agentes peruanos tinham vindo de Lima.

O engajamento do Brasil além de suas fronteiras está longe de se comparar ao praticado pelos EUA, que durante anos gastou bilhões de dólares para operar bases antidrogas no Equador, Bolívia e Colômbia e empregou táticas polêmicas como ajudar os países a abater aviões suspeitos de transportar drogas.

Mesmo assim, críticos no Brasil temem que a guerra contra as drogas do país esteja entrando num terreno perigoso. A ideia de ter brasileiros armados em outros países poderia custar vidas e problemas diplomáticos numa região já apreensiva com o crescimento do Brasil, dizem esses críticos. Eles também receiam que a estratégia simplesmente não funcione.

"Isso não vai ter muito efeito, porque eles sempre podem fazer mais laboratórios", disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem defendido a descriminalização das drogas.

O Peru também está mudando para um combate mais ativo contra drogas ilegais. Na sua campanha eleitoral, o presidente Ollanta Humala se distanciou da proibição apoiada pelos EUA e até mesmo sugeriu que iria interromper a erradicação de coca financiada pelos EUA.

Mas, uma vez na presidência, ele tem agido de forma diferente. Ele passou a recear que o aumento na produção da cocaína - em parte para atender a demanda no Brasil - poderia ameaçar a estabilidade ao financiar o terrorismo. Hoje os EUA veem em Humala um melhor aliado contra as drogas que seus predecessores, dizem analistas políticos americanos.

Durante a operação conjunta de agosto entre Brasil e Peru, os dois lados estabeleceram a sua base no aeroporto policial da vizinha Tabatinga, AM. Um helicóptero militar peruano pousou lá com um grupo de policiais.

"Precisamos impedir que a Amazônia vire outra grande zona de cocaína", disse o Coronel Cesar Arévalo, comandante da força peruana na operação.

Dois observadores da DEA, a agência americana de combate às drogas, chegaram para os últimos dias da operação. Eles passaram a maior parte do seu primeiro dia lá checando seus BlackBerries num centro de comando da polícia brasileira, enquanto brasileiros e peruanos saíam para as batidas antidroga. Praticamente nada da cocaína produzida aqui vai para os EUA, mas sim para o Brasil, e então isso vira um problema do país, diz a polícia brasileira.

Um voo de reconhecimento com a PF mostrou o tamanho do problema. Plantações de coca, a matéria-prima da cocaína, do tamanho de campos de futebol, surgem ao longo do Javari. Dados da ONU indicam que a Amazônia peruana é a região produtora de cocaína que mais cresce no mundo.

O Brasil e o Peru estão lidando com o problema com um orçamento limitado. Ao contrário da Colômbia, que tem frotas de helicópteros Blackhawk fornecidos pelos EUA, a polícia aqui viaja para as missões em helicópteros de transporte russos de 20 anos, grandes demais para aterrissagens precisas na floresta.

O trabalho pode ser fatal. Em 2010, dois agentes da PF brasileira foram mortos por homens com armas automáticas enquanto revistavam uma canoa em busca de cocaína, no lado brasileiro da fronteira. As fotos deles estão penduradas na porta da sede da polícia na região. Na foto de um dos policiais assassinados, Mauro Lobo, alguém escreveu: "Vá em frente. Eu estou com você".

As mortes dos policiais fortaleceu a determinação da PF. Os brasileiros trabalharam com a polícia peruana para capturar a maioria dos membros da quadrilha de traficantes supostamente por trás dos assassinatos. Os laços criados durante essas prisões ajudaram a tornar possíveis operações maiores de combate às drogas.

Antes de uma busca, Mauro Spósito emprestou a Arévalo, o coronel peruano, sua arma pessoal, um rifle semiautomático, mais adequado do que os automáticos porque ajuda a economizar munição "quando a adrenalina sobe", explicou Spósito.

A polícia peruana comandou todas as missões do seu lado da fronteira. Os brasileiros entraram com a maior parte da logística, inclusive o combustível.

Num complexo de cocaína capturado em 17 de agosto, um cientista da polícia brasileira ouviu seu colega peruano descrever os processos químicos que estavam ocorrendo num tanque do tamanho de uma jacuzzi cheio de folhas de coca picadas mergulhadas em gasolina. Um suco de gasolina e coca fluía por tubos de PVC e enchia latões de 200 litros, um passo crítico no preparo da cocaína.

Os investigadores acharam pistas sobre a indústria local da cocaína. Os operários usaram fita adesiva para prender lanternas ao redor de uma estrutura de madeira, indicando que eles trabalhavam em turnos noturnos para dar conta da demanda. Longas varas de madeira com pontas afiadas para pegar peixes nos riachos mostravam que os operários eram de famílias indígenas locais. Eles moravam numa cabana de palha sobre estacas. Dentro dela havia alguns brinquedos de criança.

A polícia suspeita que o laboratório pertencia a um brasileiro que agia com um químico colombiano.

"Esta é a nova realidade: os brasileiros têm o dinheiro, os colombianos têm o know-how, e os peruanos são os pobres coitados que fazem o trabalho", disse um agente do serviço de informação do Peru que participou da ação.

Pouco depois, um especialista em demolição peruano, baleado três vezes nos seus 12 anos de serviço, enrolou tambores de gasolina num cordão detonante cor-de-rosa e prometeu mandar o laboratório pelos ares "que nem Hiroshima".

Ambas as equipes estavam em ação de novo na manhã de 19 de agosto, quando um informante disse que um laboratório ligado à quadrilha responsável pelos assassinatos de 2010 estava funcionando no lado peruano do Javari.

Spósito, um comandante da PF brasileira, entrou com as coordenadas do GPS no Google Earth do seu laptop e começou a discutir a logística com Arévalo. Um esquadrão da polícia peruana em camuflagem encheu duas picapes que saíram em disparada na direção do helicóptero.

Nos veículos também estavam dois observadores da polícia brasileira, que carregavam armas automáticas. Desde que seus colegas foram mortos, a polícia federal brasileira jurou nunca ser surpreendida desarmada de novo. Todo mundo esperava um tiroteio, e os homens a bordo pareciam imersos em seus pensamentos.

O volumoso helicóptero ganhou altura e dali a pouco já havia cruzado o rio Javari e entrado no Peru. O informante, um morador da área com o rosto oculto por um capuz, ajudou a guiar os pilotos. Não acostumado a andar de heli-cóptero, ele ficou desorientado com a vista do alto.

De repente, eles avistaram o alvo, e em segundos um oficial peruano estava gritando para que seus homens pulassem do helicóptero e procurassem proteção na plantação de coca que os rotores da aeronave fustigavam.

A polícia informou que eles foram recebidos com uma saraivada de tiros. Um agente brasileiro presumiu que os traficantes, em número inferior, abriram fogo antes de escapar porque matar um policial fortaleceria a reputação da quadrilha.

No fim do dia, os traficantes haviam fugido e o laboratório, sido destruído. (WSJ)