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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bope testa novos caveirões durante ocupação de favelas no Complexo da Penha

 
 
 
Bope utiliza novos blindados na ocupação da Vila Cruzeiro Rafael Moraes / O Globo
Ao substituir nesta quinta-feira o Exército na Vila Cruzeiro, na Penha, o Bope estreou dois novos veículos blindados. Fabricados pela empresa norte americana Oshkosh, os SandCats são menores e mais leves que os caveirões e já ganharam o apelido de “caveirinhas”. Usados pelo Exército de Israel, eles têm apenas nove lugares e circulam com maior facilidade por vielas de favelas.

Os novos blindados têm câmbio automático, tração nas quatro rodas, sensor de marcha a ré e capacidade para suportar até tiros de fuzil calibre 762. Os “caveirinhas” contam ainda com blindagem especial no fundo, para proteção dos veículos em caso de passagem por lugares com explosivos. Por enquanto, estão em teste. Se forem aprovados, serão comprados. Cada um deles custa entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão.
O Bope começou a operação na região, que ganhará duas UPPs em até 30 dias, às 5h — antes, por volta das 3h, equipes do Exército haviam cercado a área. Policiais começaram então a vasculhar não só a Vila Cruzeiro, como as comunidades vizinhas Parque Proletário e Merendiba, em busca de armas e drogas. Também tentaram cumprir 15 mandados de prisão. Não houve o disparo de um tiro sequer.
Ao todo, 500 PMs participaram da operação — o Bope teve o apoio do Batalhão de Choque, do Batalhão de Ações com Cães e do Grupamento Aeromarítimo. José Cosme de Amorim, o Quito, de 41 anos, contra o qual havia um mandado de prisão por roubo armado, foi preso em casa. Na localidade conhecida como Vacaria, PMs apreenderam duas espingardas calibre 12, 24 cartuchos do mesmo calibre, três quilos de maconha, uma quantidade não informada de crack, 16 carregadores de fuzil e material para embalar drogas.
Os policiais substituíram 900 militares que ainda estavam na Vila Cruzeiro. Desde o início da ocupação da região, em 25 de novembro de 2010, em média 1.700 soldados do Exército atuaram em todo o Complexo do Alemão. O Bope montou uma de suas bases na Praça do Cruzeiro, na Vila Cruzeiro. Uma outra base, para coordenar patrulhas, foi instalada no alto da favela, na casa que pertencia ao traficante Marcelo da Silva Soares, o Macarrão. O criminoso, que está preso num presídio federal, fugiu da favela no início do processo de pacificação, em 2010, deixando para trás sua prótese de perna.
Uma das UPPs a ser inaugurada funcionará na Vila Cruzeiro, com um efetivo de 320 policiais. A outra será instalada no Parque Proletário, com 220 homens. Com essas duas últimas unidades, será fechado o cinturão de segurança no Alemão, com um total de 2.150 PMs e oito UPPs. Em toda a cidade, serão 27.
Paralelamente à ocupação da Vila Cruzeiro, a PM fez operações em outras favelas controladas pela mesma facção criminosa que anteriormente dominava a área. Cerca de 500 policiais de diferentes batalhões da capital e da Região Metropolitana participaram das incursões. O objetivo era prender bandidos que tivessem fugido da Vila Cruzeiro e buscado abrigo nessas favelas.
Oficial lembra PM morto por traficantes em 2007
Na Vila Cruzeiro, o ocupação foi acompanhada pelo comandante do Estado-Maior da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto. Fardado, mas sem colete à prova de balas e sem o seu fuzil, o oficial, com um sorriso discreto, não disfarçava a satisfação de ter agora sob o controle da polícia uma região que já foi considerada o quartel-general do tráfico.
A substituição pacífica dos últimos militares do Exército que permaneciam no complexo levou o coronel a lembrar os numerosos confrontos de que participou na região. Em maio de 2007, quando comandava o Bope, ele ocupou a Vila Cruzeiro em busca de traficantes que executaram dois PMs em Oswaldo Cruz. Na ocasião, o cabo Wilson Santana Lopes, de 28 anos, foi morto por bandidos.
— Hoje, vendo este território pacificado, podemos dizer que nosso policial não morreu em vão — disse o oficial.
Caminhando pelas ruas com tranquilidade, o coronel disse ter sentido a satisfação do dever cumprido.
— Foram inúmeras batalhas, entre incursões policiais e ocupações, até chegarmos ao modelo da polícia de pacificação. Fico satisfeito, porque jamais pensaria em andar na Vila Cruzeiro assim, despreocupado. Estamos num caminho de pacificação que não tem volta, porque a comunidade aceitou e hoje pede a nossa presença. Vamos dar aos filhos e netos desses moradores um local digno para viver, fora das mãos dos criminosos — disse o comandante do Estado-Maior da PM.

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